Suas recentes e sábias medidas para a Síria aumentaram minha determinação de lhe escrever. A humanidade anseia por paz e suas providências apontam um caminho de diplomacia, inteligência e respeito, para a Síria e para o mundo, trazendo-nos a todos grande alívio, e levando-me a manifestar assim, de público, meu apoio e minha simpatia.
A situação em meu país, tão importante para a paz, a prosperidade e a estabilidade continentais, hoje é muito grave, Sr. Presidente Donald Trump: em abril do ano passado, não apenas parlamentarizou-se o regime brasileiro, à revelia da população, como também foi afastada uma presidente legitimamente reeleita com 54.000.000 de votos e contra quem não se conseguiu apontar nenhum delito sequer, como exige, para estes fins, a Constituição de 1988.
É constrangedor perceber que o golpe de estado foi implementado por parlamentares que estavam a ponto de ser alcançados pela justiça, assim movidos pelo mais mesquinho instinto de preservação, zero patriotismo, zero compromisso com a sociedade.
Os Estados Unidos e o Brasil têm sido sempre nações amigas e irmãs, Sr. Presidente, e o posicionamento geográfico fortemente recomenda que assim seja, como também o faz a evolução muito visível das dinâmicas ocidente/oriente.
Lutamos lado a lado, convem recordar, contra o nazifascismo, nos campos de batalha da Europa.
Setores dos Estados Unidos, dizem os historiadores, têm frequentemente, entretanto, interferido no processo histórico/político brasileiro, com enormes prejuízos para nossa população e, por contraditório que possa parecer, também para seus concidadãos.
Foi assim em 1954, culminando com o suicídio de Getúlio Vargas; em 1964, com a deposição de João Goulart, e no ano passado, com a vergonhosa traição de Temer a Dilma e aos brasileiros que nela votaram e ou que viram a democracia naufragar.
Violentado pelo golpe de abril do ano passado o estado de direito, as coisas vem piorando muito Sr. Presidente. Temos inúmeras prisões arbitrarias, orientadas a arrancar delações que depois se pretende usar como prova judicial, mas que em verdade são o produto escandaloso de uma forma crudelíssima de tortura, e ainda pior, se é possível, temos juiz condenando sem apresentar prova alguma e levando à miséria pelo confisco vergonhosamente arbitrário, as vítimas das condenações infundadas.
O Estado de Direito foi suprimido, no Brasil, diante do silêncio infame e conivente de algumas das mais altas autoridades judiciais da nação.
Sr. Presidente, lamentabilíssimamente, setores dos Estados Unidos estiveram envolvidos no treinamento do mais conhecido destes juízes. Quero crer que esta política intervencionista, agressiva, nitidamente implementada a partir da convulsão na Líbia, foi parte da estratégia de sua derrotada adversária para credenciar-se junto a certos setores da sociedade estadunidense.
Sr. Presidente, estas irregularidades gritantes não seriam jamais possíveis, não fosse o maciço apoio que recebem da Rede Globo de Televisão, rede líder no país e de outras emissoras menos cotadas. Se aproximarmos nossa lupa desta poderosa rede de comunicação, também ali encontraremos marcantes influências de certos setores dos Estados Unidos da América.
A dívida pública, inauditada desde Getúlio Vargas, Sr. Presidente, consumiu 50% do orçamento da União, no último ano.
Temer gastou cerca de 15 bilhões de reais do erário para manter-se no poder, comprando parlamentares, diante das recentes investigações.
Entre 5 e 7 milhões de postos de trabalho desapareceram por força do conluio jurídico-midiático, Sr. Presidente.
A consequência prática principal de tudo isto poderá ser a realização de um pleito eleitoral, em 2018, estando os mais fortes e populares candidatos truculentamente impedidos de participar.
Tal fato nos levará a uma crise permanente de legitimidade, ao aprofundamento das desigualdades sociais, no Brasil, e a um quadro de instabilidade absolutamente imprevisível, que me parece pouquíssimo interessante também para os Estados Unidos, que enfrentam hoje as transformações mundiais que todos percebemos e conhecemos e que você, Sr. Presidente, começou agora a equacionar e enfrentar com brilhantismo, neste exemplo de inteligência de estadista que é o nascente acordo com o presidente russo, Putin, em torno dos candentes problemas colocados na Síria.
Este belo pássaro fugidio, Sr. Presidente, a esperança de um mundo mais inteligente, pacífico e produtivo, move meus dedos e meu coração enquanto lhe escrevo.
O senador Roberto Requião, do PMDB do estado sulista do Paraná, coordena uma frente de 220 parlamentares federais de todas as siglas, comprometidos com o Estado de Direito, com o desenvolvimento de uma nação livre, justa e soberana, engajada na cooperação entre os povos e as nações.
O senador poderá, com toda certeza, lhe ajudar a construir as melhores, mais duradouras e mais produtivas relações com o Brasil e o povo brasileiro.